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      Muri vende autopeças para gigantes mundiais
      Míriam Karam, Para o Valor, de Curitiba
      Matéria publicada no caderno Valor Especial, do Jornal Valor Econômico de 30/Nov/2004.

Campeãs de crescimento

      O pulo do gato se chama exportação. Criada em 1986 por dois engenheiros mecânicos então recém-formados, a Muri Linhas de Montagem decidiu enfrentar de peito aberto as gigantes mundiais do setor de máquinas para autopeças e fincou uma bandeira no coração de Detroit (EUA), a capital mundial do automóvel no ano passado. As vendas para o mercado americano haviam começado em 2001, mas a criação da Muri Assembly Systems foi definitiva como ponta de lança da empresa gaúcha.
       "Fomos em busca do mercado para crescer", conta o diretor executivo da Muri, José Mário de Carvalho Júnior, fundador da empresa ao lado do também engenheiro Luiz Henrique De Nardi, diretor comercial com atuação na subsidiária norte-americana. O braço no exterior se dedica à prospecção e ao atendimento direto dos clientes, com assistência técnica e desenvolvimento de produtos sob encomenda.
       Atendendo as grandes matrizes das empresas do setor automotivo, a Muri vende nada menos que 70% de sua produção nos Estados Unidos, com entregas no México e na Inglaterra. Neste ano, a comercialização de máquinas e linhas de montagem deve se situar entre R$ 55 milhões e R$ 65 milhões, em função das negociações em curso. Até outubro deste ano, as vendas somavam 36% a mais que o registrado no mesmo período do ano passado.
       Em 2003, o faturamento foi de R$ 43 milhões e, em 2002, R$ 28 milhões. Como se vê, 2003 registrou o grande boom dos contratos de exportação, baseado na determinação de crescimento definida pela empresa. A base, no entanto, havia sido plantada no ano anterior. O faturamento de 2002 já apresentava crescimento de 137% em relação a 2001.
       Apesar de apontar o desenvolvimento de tecnologia de engenharia própria como condição para o crescimento, Carvalho diz não ser possível que isto ande sozinho. "Tem que somar duas coisas: engenharia e modelo de gestão", avalia. É preciso investir numa base sólida de mão-de-obra especializada, que começa com estagiários e recém-formados. Afinal, desenvolver tecnologia exige larga especialização em eletrônica, mecatrônica, software e mecânica de precisão.
       Carvalho diz que administrar com transparência abriu as portas dos órgãos de fomento, criando condições para o crescimento. Apesar de o capital da empresa estar 100% nas mãos dos dois sócios, o balanço deste ano será publicado, com auditoria da PriceWhaterhouse.
       Conquistado o mercado externo, a Muri parte para a ampliação de sua capacidade física e aumentar o número de funcionários de 195 para 245 em 2005.